Olá Pessoal! 😁
Hoje venho aqui partilhar a minha visão sobre a cidade onde nasci, cresci e ainda resido.
Quando se fala em Barreiro lembro-me da minha feliz infância em jardins e em tempos que ainda se podia brincar na rua, em que os perigos eram cair e esfolar um joelho. Belos tempos.
A cidade do Barreiro hoje, e digo o que sei que muitos pensam, é uma cidade de abandono, degradação e poluição. O que os meus amigos da minha idade pensam, e com razão, é sair desta cidade o mais depressa possível.
Vamos começar!
Como geocacher visito muitas vezes os concelhos vizinhos, e o que noto mais e que pouco há na nossa cidade são espaços verdes. Vamos falar sobre os espaços verdes no Barreiro. Temos alguns, é verdade. Temos o Parque Catarina Eufémia, que pouco ou nunca é tratado, onde a relva já quase não existe e os arbustos parecem algo plantado para ninguém fugir dali, como se alguém estivesse ali preso.
Há o Parque da Cidade que vai igualmente estando degradado, servindo apenas para os eventos que de vez em quando se lembram de os realizar. As casas de banho estão fechadas, os cafés estão fechados, o lago é verde...
Existe o Jardim conhecido como "4 cantinhos" que é caso para dizer que se encontra num estado vergonhoso. Chão a saltar, ervas daninhas, já não há relva, lixo em tudo o que é canto.
E temos o melhorzinho que se encontra na Avenida Bento Gonçalves (para nós Avenida da Praia), que sofreu obras e mantém o seu espaço verde, e o Passeio Augusto Cabrita foi sem dúvida uma lavagem de cara nesta avenida, com uma ciclovia e tornou-se num espaço à beira mar bastante agradável para uns passeios em dias de sol.
Falta ainda o pequeno jardim do Bairro Ferroviário em que os arbustos já nem folhas têm, apenas ramos.
Com tantas obras e tudo mais, o que é que a autarquia terá a dizer sobre isto? Provavelmente o "não tenho dinheiro"
Valha-nos a Mata da Machada, que tem umas belas mesas de picnic com uns grelhadores todos jeitosos. Ah... espera lá... e as casas de banho?! Não há! "Há aqui muito mato a casa de banho não faz falta". Construiu-se uma casinhota, que ninguém sabe muito bem o que é nem para o que serve. Mas a retrete não é necessária! E o lixo? Frequento com bastante frequência a Mata da Machada e na semana passada estive lá a almoçar e reparo que o mesmo caixote do lixo continua a abarrotar e com os mesmos sacos de há um mês atrás. E a recolha de lixo neste locais? Só quando há eventos!
Agora falemos das obras.
Nos últimos anos temos visto obras pelas mais diversas ruas do Barreiro. A Avenida Bento Gonçalves sofreu uma "lavagem" total. Nova estrada, ciclovia, modificação dos lugares de estacionamento. Ma e aquelas lombas que mais parecem minas que estão ali enterradas? "O autocarro avariou... bateu no chão". Uma estrada em que andas a mais de 30 km/h é um suicídio para o carro. Se calhar é melhor mandar o orçamento das suspensões do carro para a Câmara Municipal ou para o engenheiro destas belas obras.
Falemos agora da Rua Miguel Pais, que já tem uma cratera nuclear mesmo junto ao Bola 9 e, tal como a rua anterior, lombas igualmente exageradas.
E a Rua Heliodoro Salgado é a que me espanta mais. Nunca, em 23 anos, tinha visto esta rua inundada. Depois das obras, e ao ver que a rua em vez da típica inclinação para o escoamento da água, estava toda a direito, seria de esperar o que iria acontecer. Basta uma pequena quantidade de chuva para a rua ficar inundada. E pintar os lugares de estacionamento? Não vale a pena porque já toda a gente sabe como se há de estacionar. Mas como o estacionamento do bom português é "fica assim e que se lixe" também não há motivo para muita preocupação.
E falando das obras mais recentes na Travessa do Guedes (para a malta mais antiga do Barreiro, Mercantil), que demoraram uma semana (ou mais!) a alisar o terreno e a pôr gravilha que com as chuvadas de Abril vai voltar tudo ao mesmo. Mas limpar a zona e remover as ervas sobrenaturais que ali estão não é necessário. Para quê? Vai crescer outra vez. O pior de tudo foi as máquinas que usaram para estas obras. Eu passo a explicar: eu estava a almoçar em casa da avó quando todo o edifício começa a tremer e a loiça a tilintar como se de um sismo se tratasse. Junto a edifícios em risco de ruir! Mas esta gente não tem noção dos perigos? Há uma habitação nesta mesma rua cuja varanda se encontra em perigo eminente de ruir. A protecção civil colocou lá uma fitas de protecção que passados dois ias já lá não estavam, mas vamos fazer obrar e abanar com esta gente toda para ver se alguém leva com uma pedra na cabeça.
E já que estamos numa de falar de degradação e começando pelo Barreiro Velho. Uma zona história da cidade, que deveria ser tratada está completamente ao abandono e o património municipal, como as típicas casas com azulejos, foram esquecidas.
Os moinhos de Maré (Pequeno, Grande, do Brancamp e do Cabo) poderiam ser restaurados e requalificados (há inclusivamente umas placas com desenhos a dizer "poderia ser assim". Um bem haja a quem teve essa ideia) mas estão a dar o seu último suspiro para caírem de vez. O Moinho de Maré Grande podia ser perfeitamente um pequeno espaço de lazer ou até mesmo um Museu da Água, como sugerido pelo autor da placa.
O Moinho de Maré do cabo poderia ser arranjado e ser transformado em miradouro, por exemplo. Este moinho até se encontra com uma vista privilegiada para o Barreiro e concelhos vizinhos, e pode-se observar várias espécies de aves.
Há pouco tempo, e claro durante um passeio geocachiano, visitei um moinho no Seixal e foi restaurado e transformado em museu, com informações bastante úteis e que nos dá a oportunidade de adquirir novos conhecimentos. Esse moinho recebe também diversas exposições. E no Barreiro? Vamos deixar tudo cair e o entulho ficará no rio para toda a eternidade.
O Moinho de Maré do Braacamp poderia muito bem de servir de um pequeno museu sobre as fábricas que existiram junto a este mesmo moinho e sobre a industria fabril no Barreiro (mais um exemplo).
O Moinho de Maré Pequeno poderia servir para uma galeria de arte ou um pequeno espaço de convívio.
Falemos agora da minha zona favorita do Barreiro, onde eu ia andar de bicicleta todos os dias com o meu avô a ver os barcos e os comboios a passar. A estação Ferroviária Sul e Sueste é só um dos muitos exemplos de arquitectura de séculos passados e um exemplar bastante bonito. Eu sei isto porque cheguei ali a apanhar o comboio para Évora várias vezes e a estação só foi desactivada em 2006 ou 2008. Sempre se falou que iria ser um museu.... mas as chapas já caíram, bocados de parede cederam, e nada de museu. Se todas estas ideias fossem aplicadas já viram como o Barreiro seria um bom ponto de turismo e o quanto iria render em dinheiro? Além do mais um museu sobre a CP e a história dos comboios seria também algo bastante interessante.
Todo aquele troço serve apenas para as pessoas estacionarem os seus carros quando vão trabalhar. Um estacionamento remodelado também já era de valor.
E o Palácio do Coimbra que, segundo sei, não tem dois mas sim três andares. Cave, rés-do-chão e primeiro andar. Pelo que ouvi dizer, o R/C servia para o comércio e o primeiro andar era área residencial.
E os Moinhos de Vento de Alburrica e do Jim que só abrem uma vez por ano?
Estes são apenas alguns exemplos do abandono e degradação existentes no Barreiro.
Falemos agora da poluição. Algo que sempre me fascinou foi o Dia B. Munícipes todos unidos a limparem a porcaria que fazem nos outros 364 dias do ano. Sim, a autarquia tem alguma culpa em não manter os espaços limpos, mas a culpa é maioritariamente de quem cá reside que está constantemente a atirar lixo para o chão. Há coisa de um mês vi algo que me deixou estúpida e revoltada ao mesmo tempo. Na prática de Geocaching observo uma senhora que vem com uma revista na mão. Isto ocorreu junto à antiga estação ferroviária. Eu estava na minha vidinha e junto a mim estavam outras duas pessoas também na vida delas e eis que, para meu espanto (nem sei porquê, já deveria estar habituada) a mulher aproxima-se da muralha e atira a revista para o rio. Passou-me todas as palavras diabólicas pela cabeça para chamar àquela criatura, mas infelizmente mantive-me calada e segui o meu caminho.
É ridículo como o nosso país e, neste caso especifico, o Barreiro têm destas coisas constantemente. Belos tempos em que havia policia municipal!
Agora que se fala nisso, e a poluição visual? Vão sendo escassos os edifícios no barreiro que não tenham um rabisco ridículo, de gente que se sente importante, nas paredes. O edifício da câmara começa a parecer um logbook, de tantas assinaturas que tem.
Os murais de graffitis no Barreiro dão outro aspecto à cidade, pois dão, mas também ao que parece passam a mensagem de "isto é arte, eles podem eu também posso". E assim vai estando tudo com assinaturas às cores nesta cidade.
Mas quanto à estupidez humana só há uma solução, mas vai ficar guardada para mim. Porque hoje em dia vale estacionar o mais perto possível de casa, mesmo que isso inclua estacionar o carro em cima do passeio com um lugar de estacionamento mesmo ao lado, estacionar em cima de passadeiras, deixar dejectos dos patudos no chão, deitar lixo para o chão... porque o ser humano hoje em dia só tem direitos e não tem deveres. Não queriam ler isto? Mas lêem! Porque a cidade do Barreiro é uma cidade suja e poluída por causa de vocês, cidadãos! E quando forem votar nestas próximas autárquicas, não pensem no que é que o vosso presidente pode fazer pela cidade, mas sim o que vocês podem fazer por ela. A autarquia tem culpas? Tem, mas nós temos grande parte das culpas.
Agora coisas boas no Barreiro... são escassas! Felizmente existem espaços verdes, poucos e mal tratados mas existem. E algo que me agrada bastante no Barreiro é a agenda cultural. Além de sempre preenchida, há uma variedade de espectáculos e para todos os gostos no Auditório Municipal Augusto Cabrital. Valha-nos isso! Afinal este não foi mais um mono que aí ficou.
Sinceramente acho que é só.
Até à próxima! 😀

























